domingo, 26 de outubro de 2014

Cerveja: Tripel Karmeliet


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Há momentos na vida que são muitos especiais. Um deles é o de dar e receber presentes. Ainda mais se o presente for cerveja. Algo que acredito que deve ocorrer com bastante frequência com vocês, não?! Afinal, cervejeiro que se preze é aquele que fica famoso na família e na roda de amigos por estar sempre experimentando novos sabores. E um incentivo familiar e dos amigos é sempre bem vindo.

Neste ano tive muitos momentos especiais como este. Um deles foi o de chegar um dia ao meu quarto e ver um kit com cervejas vindo do Brasserie Emporio Gourmet empório cervejeiro de Guararema administrado pelo amigo Amauri Cardoso. Mas quem mandou esse kit para mim? Ela: a minha irmã Bruna Geishofer e Silva Tardelli.

E como hoje é aniversário dela resolvi dedicar este post para homenageá-la com uma das cervejas que ela me presentou. E QUE cerveja: a Tripel Karmeliet. Uma cerveja tão especial quanto um presente de irmã.

A origem

Não que as cervejas mais novas sejam piores e que apenas na Europa temos grandes rótulos. Mas fato é que no Velho Mundo a produção de excelentes cervejas vem de longa data e credencia o continente – pelo menos para mim – como o melhor continente cervejeiro. E a Bélgica é um dos países que contribuem para essa boa fama europeia.

Dessa forma a cervejaria Brouwerij Bosteels é uma das melhores produtoras de cervejas há muito tempo. A cervejaria se originou na região de Flanders (França e Holanda também possuem regiões com esse nome).

Essa região fica ao norte da Bélgica cuja língua (neerlandês) é conhecida popularmente por flamengo, a população que originou essa região veio dos Países Baixos, a religião é predominantemente católica e a capital política é Bruxelas. Mas a população local reconhece a Antuérpia como capital – devido a questões separatistas - e as leis dessa região flamenga não se aplicam ao território de Bruxelas. Sendo assim, a região é dividida em 5 províncias:

·         Antuérpia
·         Limburgo
·         Flandres Oriental
·         Brabante Flamengo
·         Flandres Ocidental




Antigamente havia inúmeras pequenas cervejarias familiares nessa região. Inclusive, cada aldeia – por mais humilde que fosse – tinha a sua própria produção cervejeira.

A Brouwerij Bosteels surgiu então na pequena aldeia de Buggenhout pelas mãos da família Bosteels em 1791 - que, inclusive, está na sétima geração de cervejeiros. Evarist Bosteels foi o patriarca cervejeiro.

A cerveja

A Tripel Karmeliet é uma das mais famosas cervejas belgas do estilo Belgian Tripel sendo conhecida pelo sabor e aroma complexos e únicos. A sua produção se iniciou no ano de 1996 seguindo a receita original de 1679 do antigo Mosteiro Carmelita de Dendermonde tendo como destaque o uso de três grãos: trigo, aveia e cevada (tanto como malte desses grãos quanto os próprios grãos não maltados). Cascas de laranja e sementes de coentro incrementam a receita da cerveja. A água – mineral - é extraída a 60 metros de profundidade.

O nome da cerveja faz referência à quantidade de “cruzes” que marcam os barris da cerveja para diferencia-los das outras cervejas produzidas. E essas cruzes indicam por quantas fermentações a cerveja passou. Desse modo, a Tripel Karmeliet é uma cerveja que passa por três fermentações. Sendo a última na própria garrafa.

Inclusive, foi eleita a Melhor Cerveja do Mundo em 2008 no World Beer Awards.

Degustação especial

A degustação desta cerveja já começa na hora de escolher a bebida porque o rótulo é daqueles que chamam a atenção pelo capricho com que foi desenhado.

Na sequência vem a escolha do copo. Ou melhor: da taça. Já que esta cerveja de tão especial precisa ter uma taça a altura que comporte tanto o líquido quando a densa e cremosa espuma que se forma ao servir a bebida. Mas se você não tiver uma taça como esta (a cima), opte por uma taça tulipa como eu utilizei (ao lado). Só dose a quantidade de cerveja para não transbordar o copo.

Logo se nota a cor dourada mais turva. O que constata a presença dos três grãos diferentes para a produção da bebida.

O aroma é complexo misturando notas de baunilha, caramelo, damasco e outros aromas cítricos. Há quem note também toques de pão e cereais matinais.

Já o sabor faz uma mescla entre a leveza e o frescor do trigo e a cremosidade da aveia. Há também um toque adocicado que logo enche a boca com toques mais ácidos e frutados.

A cerveja é tão rica que harmoniza com:

·         Carpaccio;
·         Peru assado;
·         Paella;
·         Queijos azuis;
·         Espaguete ao Vongole;
·         Bacalhau ao forno;
·         Lagosta a Termidor;
·         Marisco;
·         Batata assada com bacon e molho de queijo;
·         Foie Gras;
·         Cheesecake e torta com damasco.

Essa complexidade torna esta cerveja uma das melhores que eu já degustei. Tenho certeza que você leitor concorda ou concordará comigo.

Obrigado Brú por esse presente e por ser tão companheira! E já sabe que se for escolher uma bebida especial para hoje, que seja a Tripel Karmeliet. Porque a exemplo do que ocorre na história da sua cervejaria, a nossa família também é muito unida e essa trinca de grãos da cerveja pode representar três importantes elementos da nossa relação de irmãos: amizade, companheirismo e respeito!

Um brinde a você e “Vamos bebeer?”!

Ficha técnica:
Tipo: Belgian Tripel
Teor alcoólico: 8%

Seu bolso pergunta:
Preço médio: R$ 20,00 (330 ml)
Onde comprar: Cerveja Store e em muitos supermercados

Onde tomei? Casa da namorada
Por que tomei? Presente da irmã

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Cerveja: Caybrew


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Neste domingo será decidido quem irá governar o nosso país pelos próximos quatro anos. Sendo Dilma ou Aécio o fato é que algo continuará firme e forte no imaginário de muitos eleitores: que todo político rouba nosso dinheiro e não faz nada por nós. Não tem jeito. É esse o nosso maior referencial sobre o trabalho dos políticos do nosso país. E muito deles de fato pegam nosso dinheiro e mandam para paraísos fiscais onde a bufunfa fica segura. E um dos destinos mais conhecidos são as Ilhas Cayman.

Mas o que são paraísos fiscais?

São locais em que bancos ficam livres para realizar transações financeiras sem ter que identificar envolvidos e ainda com taxas reduzidas ou até nulas de impostos. O que inevitavelmente atrai investidores que não querem que suas contas sejam vinculadas a seu nome e empresas que pagam menos impostos. Outro fator é a confidencialidade com que as contas são administradas em forte sigilo e mínimo controle fiscal.

As Ilhas Cayman

As Ilhas Cayman são um grupo de três ilhas no Caribe (Grand Cayman, Cayman Brac e Pequena Cayman) cuja população é de aproximadamente 30.000 pessoas sendo, portanto, uma colônia inglesa com forte economia onde não há desemprego. E é um dos maiores paraísos fiscais do mundo.

O local vem se esforçando para deixar de lado esse rótulo para ser um lugar procurado no mundo todo pela sua atividade turística. O arquipélago descoberto por Cristovão Colombo em 1503 possui inúmeros resorts de alto nível, lojas de grife, mais de 150 restaurantes de diferentes cozinhas pelo mundo e é destino de quem pratica o mergulho devido às suas águas límpidas que permitem visibilidade de pelo menos 30 metros. Será que a bufunfa dos corruptos fica escondida mais no fundo? E o intrigante é que no pequeno aeroporto há um painel escrito “The door to paradise” (“A porta para o paraíso”). Mas a maior parte dos turistas chega em cruzeiros marítimos. E foi justamente por causa de um cruzeiro que estou aqui escrevendo este texto.

Meus sogros fizeram um cruzeiro este ano pelo Caribe. Passaram pela Jamaica e pelas ilhas de Cozumel, St Tomas, Saint Martins e pela Grand Cayman. Nesta última eles passaram por uma loja de conveniência perto do porto onde viram muitas cervejas. Uma delas a Caybrew. A nossa cerveja deste post. Vamos conhecê-la? Mas vamos do começo...

The Cayman Islands Brewery
A fábrica da The Cayman Islands Brewery
A cervejaria

A The Cayman Islands Brewery é uma cervejaria local que começou sua operação cervejeira em 2007 graças a um investimento de US$ 10 milhões. O que pode ser comparado ao investimento que micro cervejarias brasileiras faze para começarem a ter mais competitividade no mercado.

O objetivo inicial era o de oferecer cervejas com a mesma qualidade das grandes cervejarias mundiais e hoje as cervejas são as mais consumidas nas Ilhas Cayman. Inclusive as garrafas consumidas por lá são retornáveis. Uma ótima ação ecológica de empresa administrada pelas Ilhas Cayman e Reino Unido cujo Presidente do Conselho é Stephen Webster acompanhado por Des Campbell, Al Thompson, Papie Connolly, Katrina Rose, John Otway e James Mansfield.

A Caybrew

A cerveja é ideal para consumo não apenas dos turistas e moradores da ilha caribenha como também por nós brasileiros. Afinal, é uma pale lager bem leve e que fica excelente se consumida bem gelada amenizando o calor típico dos países da América Latina. É pale lager por ser uma lager de coloração mais pálida do que as lagers tradicionais e harmoniza bem com aperitivos suaves e bruschetta, por exemplo.

Ela é fabricada com levedura de baixa fermentação fermentada mais lentamente e em temperatura mais fria entre 12 e 18 graus. E o processo todo de produção leva três semanas.

A cerveja já foi premiada com Medalha de Ouro por sua qualidade no Jury Monde Selection de Bruxelas em 2008.

Então se é difícil de engolir saber que há dinheiro público guardado em paraísos fiscais, tome uma Caybrew que desce muito mais fácil, refresca e que pode nos dar aquela boa sensação de estarmos em uma praia paradisíaca.

Ficha técnica:
Tipo: Pale Lager
Teor alcoólico: 5%

Onde encontrar?
Dificilmente no Brasil

Por que tomei?
Presente do Sogro e da Sogra

Quando tomei?
2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cerveja: Petroleum (DUM)


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Os noticiários nas últimas semanas mostram o caso envolvendo corrupção na Petrobras. Mas se há atividades que envolvem de certa forma o petróleo em algo ruim, por outro lado, há uma empresa que está batendo um bolão quando o assunto é o combustível fóssil. Ou melhor dizendo: com o petróleo sendo elemento de inspiração. Trata-se da cerveja Petroleum da Cervejaria DUM, que encerra a nossa “Semana DUM Cervejaria”. Vamos conhecer mais sobre a cerveja?

Mas já não tem outra Petroleum no mercado?

Antes é preciso explicar essa questão para quem já viu no supermercado, por exemplo, outra garrafa de Petroleum. Trata-se da cerveja Petroleum da cervejaria mineira Wäls. Mas vou analisar essa questão de maneira pontual porque ainda dedicarei um post exclusivamente à cerveja mineira.

O que ocorre, na verdade, de maneira bem simples, é que há uma mesma cerveja sendo produzida por duas cervejarias. E quem ganha com isso somos nós cervejeiros e cervejeiras que podemos ter a chance de experimentar duas maneiras de produzir duas grandes cervejas que bebem da mesma fonte de inspiração.

E a cerveja da DUM?

A cerveja já surgiu de uma história muito inusitada: uma brassagem de 24 horas. Mas como assim uma cerveja – até então – caseira demora tudo isso para ficar pronta? Ocorre que os cervejeiros – que queriam produzir uma Russian Imperial Stout - erraram a mão e adicionaram muito mais malte à panela. Mais precisamente 50 kg de malte já que os alquimistas acharam que era a medida ideal para produzirem a cerveja em uma panela de 120 litros. Mas tudo bem. É errando que se aprende. Ainda mais na produção de alimentos.

Depois da primeira experiência, os cervejeiros da DUM foram acertando a mão e hoje esta cerveja disputa de igual para igual com muitas cervejas do mundo. Digo isso porque no Brasil não há muitas cervejas semelhantes a esta.

Trata-se então de uma cerveja com teor alcoólico elevado, mas que diante do sabor da cerveja o álcool fica bem balanceado e quase não queima a garganta ao ser degustada. Na composição o malte de cevada ganha a companhia do malte de cevada tostado, aveia, cacau belga (Ah, a Bélgica...), lúpulo e fermento. Os aromas de cacau, café, chocolate e maltes torrados são impossíveis de não serem percebidos na degustação e há menor formação de espuma.

É uma cerveja que vai muito bem com sobremesas – ainda mais as produzidas a base de chocolate e sorvetes também harmonizam muito bem. E essa combinação com doces é boa porque há a harmonização por contraste: uma cerveja mais alcoólica e encorpada abraçando alimentos doces e também gelados. É o que pode se chamar de uma verdadeira explosão de sabores e sensações!

Mas e a cor? Ah, claro! A cor desta cerveja é um motivo a mais para você experimentá-la. Afinal, não é todo dia que você pode ver um líquido de coloração tão próxima a do petróleo. Além disso, quem não se encanta com um líquido de aparência tão diferente?!

Ainda bem que podemos dizer que “Este petróleo é nosso!”.

Ficha técnica:
Estilo: Cocoa Imperial Oatmeal Stout (ou Russian Imperial Stout para ficar mais fácil)
Teor alcoólico: 12%

Seu bolso pergunta:
Preço médio: R$ 20,00 (355 ml)

Onde tomei?
Degustação no HB Beer (valor de R$ 25,00)

RECADO DO BLOGUEIRO

Espero que vocês tenham curtido as postagens desta semana!

E eu fico também muito contente de poder ter conseguido manter este blog ativo por uma semana inteira pela primeira vez desde fevereiro de 2013 – quando este blog foi lançado.

Então que venham os próximos posts e goles!

Saúde para nós e “Vamos bebeer?”!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cerveja: Karel IV


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?


A penúltima postagem especial da “Semana DUM Cervejaria” chega com tapete vermelho e honras reais. Afinal, a cerveja de hoje homenageia outro herói: Karel IV, o Rei da Baviera. E maior herói tcheco.

Mas quem foi esse rei?

Ponte Carlos em Praga
O Rei Karel IV e a Ponte Carlos  (Praga- República Tcheca)
Karel IV – ou Carlos IV – assumiu o trono da Boêmia no ano de 1346 em que também foi coroado Rei dos Romanos. Nove anos depois (em 1355) Karel IV tornou-se Imperador do Sacro Império Romano Germânico.

O reinado na Boêmia teve início no período em que a região ficou quase intocada pela Peste Negra e a cidade de Praga – tornada capital - foi reconstruída sob forte inspiração de Paris. A então Cidade Nova de Praga ganhou em 1348 a primeira Universidade da Europa Central batizada com o nome da cidade que logo se tornou um centro intelectual e cultural da região.

Mas algo que ainda hoje é elemento marcante para a história da cidade e para o legado do reinado de Karel IV é a ponte de pedra – construída a mando do rei - sobre o rio Moldava que foi chamada de Ponte Carlos. Essa ponte unia as cidades Nova e Velha ao Castelo de Praga. Essa posição foi tão estratégica que a cidade se desenvolveu muito chegando a marca de mais de 40 mil habitantes. Uma das cidades mais populosas da Europa da época.

Outras obras de Karel IV foram a do Castelo Karlstejn (onde eram guardadas as joias da coroa), a reconstrução de Vysehrad (onde hoje há um monumento, uma catedral gótica, um belo parque e uma visão privilegiada da cidade de Praga) e de parte das fortificações medievais.

E a cerveja?

Tal representatividade para a história da República Tcheca tornou inevitável que a DUM homenageasse o maior herói do país que nos brinda com tantas lagers maravilhosas. Mas não poderia ser qualquer Lager. Por essa razão, o “Reino Vamos Bebeer” anuncia o surgimento de um novo estilo cervejeiro: o King Lager.

Fica então estabelecido que a cerveja King Lager deve ser produzida seguindo a Lei de Pureza Alemã (com água, malte de cevada, lúpulo e fermento) com o aditivo mais nobre de todos: o lúpulo. Muito lúpulo!

O resultado é uma cerveja de coloração âmbar (que pode, inclusive, servir de inspiração para ser adotada em mantos reais), aroma e sabor intensos que se assemelham à sensação de apreciar uma IPA e retrogosto com amargor intenso. Cerveja para cervejeiro nenhum botar defeito.

Pratos apimentados, queijos, carnes fortes e até pudim de leite harmonizam muito bem com a Karel IV.

O rótulo também não poderia ser menos nobre. Afinal, lembra o rótulo de vinho. Se bem que podemos entender que esta garrafa não tem um rótulo, mas sim, um manto nobre, dourado e coroado!

Sendo assim, que todos os copos se curvem a Karel IV!

E um brinde ao Rei!

Ficha técnica:
Estilo: King Lager
Teor alcoólico: 8,4%

Seu bolso pergunta:
Preço médio: R$ 17,00 (355 ml)
Onde comprar? Loja Clube do Malte

Onde tomei?
Degustação no HB Beer (valor de R$ 20,00)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cerveja: Grand Cru


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Dando sequência às nossas postagens especiais da “Semana DUM Cervejaria”, apresento hoje uma cerveja que tem tudo a ver com o nosso clima tropical ainda mais em São Paulo, de onde escrevo, que não chove de verdade nem sei há quanto tempo e o calor parece que resolveu ficar de vez. Refiro-me a um estilo cuja origem é belga e que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro: o Witbier.

E a DUM Cervejaria lançou em 2014 no Festival Nacional da Cerveja em Blumenau a Grand Cru. Uma verdadeira obra de arte que também chama a atenção por causa de seu rótulo. E é sobre ele que quero começar a discorrer este texto.

“Le fils de l'homme”
A inspiração

No início do século passado – mais precisamente nos anos 1920 - surgiu um movimento artístico que questionava as crenças culturais vigentes até então na Europa. Era o surrealismo cujos artistas então se voltaram para produzir uma arte pautada unicamente na liberdade de expressão resgatando as emoções e o impulso humano.

Um desses artistas foi René Magritte (um dos maiores artistas surrealistas belgas). Olha aí a Bélgica novamente no nosso caminho... Ele no início da carreira foi designer de cartazes e anúncios e em seus quadros são metafóricos misturando elementos do dia a dia que são inseridos em contextos impossíveis de serem encontrados na vida real.

Tal qual o quadro “Le fils de l'homme” (”O filho do homem”, em tradução livre para o português) em que um homem engravatado tem o rosto coberto por uma maçã verde.


Quando a prateleira virou museu

Condizente com sua atuação de ser uma cervejaria que foge completamente da produção padrão de cervejas, a DUM bebeu da fonte de René Magritte e produziu o rótulo da sua Double Witbier inserindo uma laranja – ingrediente utilizado na produção de muitas Witbiers - no lugar da maçã verde e levou o rótulo para o Concurso de Rótulos do Festival Nacional da Cerveja de Blumenau em 2014. O resultado: medalha de prata.

O designer Magritte ficaria orgulhoso dos cervejeiros e do designer da DUM.

E a cerveja?

A cerveja Witbier leva os tradicionais elementos da cerveja (água, malte de cevada, lúpulo e leveduras) com o acréscimo de casca de laranja, sementes de coentro e trigo não maltado. Ou seja: é uma cerveja riquíssima em sabor e aroma, é refrescante, apresenta coloração pálida bastante característica e o aspecto visual é turvo (por não serem filtradas) com corpo médio e boa formação de espuma. E na Grand Cru ainda há a adição de aveia e trigo na receita.

Essa cerveja me surpreendeu e me agradou muito. Afinal, pude tomar uma cerveja feita com trigo e que não fica com aquele gosto persistente de trigo no fundo da garganta típico das cervejas Weiss.

A Grand Cru é ideal para dias quentes e para acompanhar pratos como: peixes, frutos do mar, risotos, comida japonesa, saladas e também para embalar aquele lanche da tarde com – obviamente - um bolo de laranja.

Uma curiosidade é que para produzir 2 mil litros da Grand Cru são necessárias cascas de 3 mil kg de laranja (a utilizada é a Bahia).

E em tempos de calor rigoroso e falta d’água, faça inveja aos amigos e sucesso no Instagram tomando uma Grand Cru à beira da piscina ou ao lado de um ventilador só seu. E, claro, marcando suas fotos com as hashtags #vamosbebeer e #semanadum.

Um forte abraço e “Vamos bebeer?”!

Ficha técnica:
Estilo: Double Witbier
Teor alcoólico: 5,8%

Seu bolso pergunta:
Preço médio: R$ 15,00 (355 ml)
Onde comprar? Loja Cerveja Store

Onde tomei?
Degustação no HB Beer (valor de R$ 20,00)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Cerveja: Jan Kubis


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Começamos a “Semana DUM Cervejaria” com uma cerveja muito especial. E não somente por seus aromas e sabores.

Ocorre que há acontecimentos em que anônimos ganham notoriedade devido a atitudes que tomam e que entram para a história. Uma ocasião dessas é a que eternizou o nome de Jan Kubis.

Jan Kubis
Mas quem foi Jan Kubis?

O general nazista Reinhard Heydrich tinha o protótipo do nazista ariano: loiro, alto, cruel, obediente e, sobretudo, eficiente. Não à toa era chamado de a “Besta Loira de Hitler”. Em setembro de 1941 ele assumiu o cargo de protetor dos territórios da Boêmia e Morávia, na antiga Checoslováquia, onde em pouco tempo ficou conhecido como o “Açougueiro de Praga”, por conta da crueldade com que oprimiu a população da região.

As atrocidades dele foram a de destruir sinagogas, lojas e residências de judeus residentes na Alemanha e na Áustria; a ordenação para a formação de esquadrões de extermínio responsáveis pelas mortes de centenas de milhares de pessoas em países da Europa Central e do Leste e em janeiro de 1942 ele apresentou o seu projeto de “Solução Final” para exterminar os judeus do continente europeu tendo acompanhado a criação da Câmara de Gás.

Foi nesse cenário que surgiram os jovens paraquedistas Jozef Gabcik (eslovaco) e Jan Kubis (tcheco) que foram escolhidos para executar a Operação Antipoide cujo objetivo era o de matar Heydrich. A missão desses verdadeiros heróis nacionais – e por que não dizer mundiais – foi cumprida em 27 de maio de 1942 quando pararam a Mercedes-Benz conversível que transportava Heydrich. A arma de Josef Gabcik falhou. Mas a granada lançada para a parte traseira do carro por Jan Kubis feriu o alemão que morreu uma semana mais tarde em um hospital de Praga devido aos ferimentos.

Era inevitável que ocorressem represálias de Hitler. Sendo assim mais de 13 mil tchecos foram mortos e deportados e em duas vilas nos arredores de Praga todos os homens com mais de 16 anos foram executados. As vilas então foram reduzidas a escombros. No dia 18 de junho daquele mesmo ano Jan Kubis e seu grupo foram encontrados e durante a batalha nosso herói foi ferido e morreu logo ao chegar ao hospital.

A homenagem da DUM

Desse modo, a DUM resolveu homenagear este grande herói tcheco com a criação de umas melhores cervejas que eu já provei com toda a certeza. Trata-se de uma Lager totalmente diferente. Ela é levemente âmbar, refrescante e apresenta aroma mais intenso devido à adição de lúpulos cítricos e frutados.

A cerveja se adequa á proposta revolucionária da cervejaria e também tem tudo a ver com o espírito revolucionário de Jan Kubis, que a exemplo da tradição cervejeira das lagers, também tem origem tcheca. Ela foi desenvolvida em 2011 e lançada em 2013.

Esta American Pale Lager fica ainda melhor por ser excelente pedida para acompanhar um churrasco. É isso mesmo. Cerveja lupulada para churrasco! Que os anjos digam “Amém!”.

E um detalhe que precisa ser destacado é que no rótulo está ilustrada a granada usada por Jan Kubis para matar o general nazista Reinhard Heydrich.

Então dito isto, corre lá e abra sua garrafa. Fica tranquilo que ao abri-la a única explosão será no copo com o aroma e o sabor desta bela cerveja!

Ficha técnica
Estilo: American Pale Lager
Teor alcoólico: 5,3%

Seu bolso pergunta
Preço médio: R$ 16,00 (355 ml)
Onde comprar? Loja Beer 4 U

Onde tomei?
Degustação no HB Beer (valor R$ 20,00)

domingo, 12 de outubro de 2014

Semana DUM Cervejaria


Olá cervejeiros e cervejeiras! Tudo bem?

Sei que fico em dívida com vocês, mas realmente eu não apareço mais vezes por aqui por não conseguir AINDA me dedicar ao blog como eu quero. Mas esse momento está ficando cada vez mais próximo.

Porém, estou me dedicando a pensar e planejar muitas pautas e colunas especiais para o blog. Afinal, o mercado cervejeiro cada vez mais pujante precisa de veículos que informem cada vez mais pessoas sobre os mais variados assuntos sobre esse maravilhoso mercado.

Inclusive, dedicarei esta semana a postar esta série de posts sobre um evento recente que participei em que tive o grande prazer de conhecer os sabores e histórias por trás da Cervejaria DUM. O evento foi uma degustação especial no bar HB Beer conduzida por Murilo Foltran, um dos sócios da cervejaria que também é capitaneada por Júlio Amorim Moutinho e Luiz Felipe Camargo Araújo.

Mas antes de mostrar para vocês detalhes sobre as cervejas Jan Kubis, Grand Cru, Karel IV e Petroleum, venham com o “Vamos bebeer?” e acompanhem nas próximas linhas o que rolou na conversa descontraída que este que vos escreve teve com Murilo sobre o começo da DUM e sobre a presença da marca no mercado. Há informações retiradas também do site da DUM.

O estalo

O cervejeiro se formou em Engenharia da Computação em 2004 e se mudou para Florianópolis. No ano seguinte, em 2005, ele começou a se reunir com amigos para tomarem cerveja na famosa Panificadora Metrópole - um dos poucos locais em que na época vendiam cervejas artesanais em Floripa. A Eisenbahn era a cerveja mais consumida pela turma. Mas essa história começou a mudar quando um dos amigos – um cervejeiro caseiro – levou para eles tomarem uma Golden Strong Ale produzida por ele. Foi nesse momento em que Murilo pensou: “Pô, preciso fazer cerveja em casa”. E logo a primeira cerveja produzida por eles ficou em segundo lugar no Concurso da Eisenbahn.

Foto: Reprodução/All Beers
O início

Este foi o ano em que Murilo voltou a morar em Curitiba e cheio de vontade para investir nesse negócio. E como ele trabalhava remotamente para uma empresa na Inglaterra pouco importava onde morava e seus horários. Desde que cumprisse com as tarefas do dia a dia para a empresa. Foi então que em julho daquele ano, na churrasqueira da casa do Murilo, que eles produziram a primeira cerveja: a John Wayne.

Ele juntou os amigos e produziram outra cerveja: a Petroleum e levaram para o Festival Nacional de Blumenau. O sucesso foi tamanho que começaram a ter incentivo para continuarem o projeto. O curioso é que a primeira brassagem da Petroleum levou 24 horas devido ao “leve” exagero na quantidade de male – que demorou 12 horas para filtrar.

Hoje a cervejaria Gauden Bier passou a ser o QG dos cervejeiros que produzem as cervejas por lá há certo tempo.


A presença no mercado

Em pouco tempo de existência, a DUM Cervejaria inclusive, conseguiu o que muitas marcas não conseguem: ter fama com o público sem que o público já tenha provado a cerveja. Fruto do trabalho de uma equipe que realmente chegou ao mercado para transformá-lo e não para ser só mais uma.

Tanto que desde fevereiro de 2011 que a DUM tem marcado presença com destaque em muitos eventos cervejeiros. Veja abaixo a lista:


  • 2º e 3º Beer Day no estacionamento do antigo Mestre Cervejeiro, que agora chama-se Templo da Cerveja;
  • VI Concurso Nacional das ACervAs em Florianópolis;
  • Festival Nacional da Cerveja em Blumenau;
  • Organização da segunda Semana Beneficente da Cerveja Artesanal;
  • I Festival de Cervejas Especiais em Cascavel;
  • Feira Mundo Gastronômico no Pavilhão de Exposições do Parque Barigui;
  • Setembeer Fest em Londrina;
  • Festa de Premiação do II Concurso Paranaense de Cerveja Feita em Casa.

Prêmios

Apesar do pouco tempo no mercado, a DUM Cervejaria, já ganhou alguns prêmios também. O primeiro lote da Wäls Petroleum faturou uma medalha de ouro no estilo Russian Imperial Stout na South Beer Cup em março de 2012. Em junho daquele ano no VII Concurso Nacional das ACervAs, em Piracicaba, a Petroleum da DUM levou medalha de bronze na categoria Russian Imperial Stout com a versão caseira, obtendo as notas 43, 41 e 37. Inclusive, a cerveja já era “A” cerveja a ser batida.

Em março de 2014 no Festival Nacional da Cerveja em Blumenau a cervejaria faturou medalha de prata com a Petroleum produzida na Gauden Bier na categoria Americam Imperial Stout (não houve ouro na categoria).

Foto: Reprodução/Maria Cevada

A DUM pelo Brasil

Enquanto os cervejeiros mantém o foco em pensar em novos produtos e em realizar trabalho de divulgação da marca – como com a realização de palestras e degustações – a distribuição das cervejas fica a cargo da Beer Maniacs desde junho de 2014. Antes da Beer Maniacs a DUM já estava em seis estados (PR, SC, SP, MG, RJ e DF) e depois já são mais 15 estados como Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Pará.

Qual o tamanho do investimento?

Segundo Murilo, se alguém quiser hoje entrar para esse negócio, deverá realizar um bom investimento inicial girando na casa dos R$ 5 milhões sendo R$ 2 milhões para equipamentos e R$ 3 milhões para manter o negócio até começar a dar lucro (período que leva entre 3 e 5 anos). E o quanto mais rótulos uma cervejaria produzir mais dinheiro tende a entrar. Afinal, a cervejaria passa a ter mais produtos para colocar no mercado.

E o legado da DUM?

A principal característica da marca é a de produzir cervejas que não se adequam a nenhum estilo da “Tabela Periódica das Cervejas”. A DUM quer ser a cervejaria que pega cada bom elemento de um estilo e mistura a outros criando assim produtos únicos em sabor, aroma, coloração e história. E já há mais seis cervejas guardadas na gaveta a serem lançadas. Os planos de lançamento, inclusive, são o de lançar duas por ano: uma no Festival de Blumenau e outra no DUM DAY. Vamos aguardar...